domingo, 12 de março de 2017

|Minimalista| Largar... Ficar com o Mínimo

Foto: Ana Filipa Oliveira
Destralhar... Deitar a tralha fora. O acumular de várias coisas cá por casa já me incomoda... e olhem que eu sou a que mais tralhas tem, admito. Sou daquelas pessoas sentimentais... guardo tudo porque me lembra algo, porque me foi dado por alguém especial, porque acho que ainda vou usar, porque... mil e uma razões para guardar.
Nesta imagem vêem uma das minhas tralhas. Saltou comigo de casa em casa... e já é minha companhia há mais de trinta anos. Mas tal como estas pequenas coisas há muitas mais cá em casa. Papéis às carradas, livros às paletes, revistas... um mar delas, tecidos, pincéis, canetas, lápis, cadernos, agendas, diários, fotografias, bijutarias... sei lá o quê.
Só que já começo a sentir um certo incómodo. Estou a precisar de mais ar, percebem?! Parece que estas tralhas, pouco a pouco, estão a asfixiar-me. Por outro lado, sinto dificuldade em pegar nelas e levá-las ao lixo, fazê-las desaparecer, destrui-las. (Acho que isto dava umas belas sessões de psicanálise! 😏 ) Há por aí alguém com o mesmo síndrome do apego?!
Será um medo? Um vazio que pretendo preencher? Qual? E para quê?? Será que a minha vida actual não é suficientemente cheia e rica para ter que estar agarrada ao passado? Quais são as minhas inseguranças, para estar agarrada a estas coisas? Porque me deixo prender por elas? Qual a solução? Estas são tantas e tantas perguntas que me coloco para saber a raíz deste apego. Entre nós... ainda não cheguei a uma conclusão, mas estou certa que o desapegar tem de estar para breve, pois assim já não há quem (me) aguente.
Andei a vasculhar algumas maneiras de dar a volta, quando a mente me começar a criar um laço e eu não conseguir ir em frente. Se ela me vier com:

  • tem valor sentimental, hei-de-lhe responder: "mas a minha casa não é grande o suficiente para ser um museu dos meus objectos de valor sentimental - não há espaço para tanto sentimento!!!!"

  • foi um presente: "pois é, mas o presente não é a pessoa. Ela deu-me o presente, e eu faço com ele o que quiser. Dado é dado. Se mandar para o lixo, mando o presente, não a pessoa. Sem culpas! Talvez quem deu já nem se lembre, e até mesmo que se lembre, concordaria com a nossa missão de lhe dizer adeus."

  • foi caro (ou não usufrui o que podia usufruir do investimento): "até pode ter sido, mas guardá-lo não traz o dinheiro de volta, e só causa complicações, acumula pó e ao vê-lo sinto culpa, por ainda não ter feito o que queria com ele."

  • é um desejo de ainda vir a... projecto constantemente adiado (é o que acontece com os tecidos, os papéis, as tintas... a costura, os trabalhos manuais...)... ou um sonho de vir a adquirir a capacidade de... (exemplo disso é o órgão... um dia hei-de aprender a tocar, ou o meu filho): "existe alguma dessas coisas que no espaço de um ano foi concretizado!? Parece-me que o tempo futuro nunca chega a ser presente..."

  • talvez precise ainda (é o caso dos caixotes de cartão das mudanças e de alguns produtos que recebemos...): "lembras-te daqueles caixotes que guardaste na cave e quando precisaste deles estavam todos danificados pela humidade! Não teria sido melhor vendê-los ou dá-los logo depois de os teres usado!? Nada nem ninguém te garante que quando precisares, eles estão em condições, e nem sabes se um dia precisarás!"

  • é tanta tralha, não sei por onde pegar (quando começo a mexer e vejo isto e aquilo... e depois sinto ansiedade por ter de deitar fora, acabo por voltar a guardar tudo... e não destralho.): "simples, começa a dividir o que tens de fazer em pequenos passos para custar menos. O que levou anos a juntar, vai levar o seu tempo a deitar fora. Olha, começa por algo muito fácil e pequeno, que não tenha muito valor sentimental."

Atenção! Uma boa ideia para não acumular mais é estar bem atenta ao que entra em casa. É necessário? É realmente útil? Não temos nada que tenha a mesma função? Sao perguntas a colocar na altura de trazer algo para o nosso lar.

Neste processo de largar e ficar com o mínimo ajuda ter uma pessoa de confiança por perto, para desabafar acerca dos sentimentos que no momento vêm ao de cima. Claro que também se pode escrever acerca disso, mas com alguém por perto, é sempre melhor. Até porque depois essa pessoa pode auxiliares de um modo prático, por exemplo, a deitar fora aquilo que não conseguimos levar ao lixo... não pelo seu verdadeiro peso, mas pelo simbólico. E fazê-lo com rapidez, para não existir maneira de recuperar. Se essa pessoa for uma amiga de coração... que tenha a casa, na qual nos sentimentos bem, arrumada do jeito que gostaríamos de ver a nossa, vai dar certo, sem dúvida. Pois ela sabe como se faz, e vai dar-nos a mão.

Viver com MENOS, é MAIS!


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2 comentários:

  1. Ai percebo perfeitamente :/ Eu também sou muito acumuladora, mas confesso que já fui mais! Mas acho que o segredo é mesmo esse, pensar bem antes de levar algo para casa, pois as coisas que lá estão já é mais dificil sairem...

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    1. É mesmo, sem dúvida, o melhor método: não deixar entrar, para não ser difícil de sair... acontece o mesmo com os meus quilos a mais. Deixei-os entrar na minha vida... e agora para saírem kkkkkkkkk

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