domingo, 26 de março de 2017

|Infância| Amanhã, dia de infantário... não, não, não

Ao ler alguns dos blogs de mamãs, que proliferam na web, tive vontade de partilhar a minha experiência... não como mãe, mas como filha... as idas para o infantário e o desejo delas não acontecerem.
Eu bem me lembro de fazer uma choradeira... não com cinco ou seis anos!!, pois até essa idade eu estava num infantário que era um lar para mim. Chorava, com o peito apertado de angústia, depois disso. Quando entrei para a escola primária, passei a frequentar uma associação de tempos livres. Nessa época, recordo-me como queria ir sempre para o trabalho dos meus pais... ir para a vizinha... mas menos para essa instituição. E essa fase foi prolongada.
A minha ama, que cuidou de mim em bebé até ir para o infantário e que de vez em quando ia-me levar e buscar a essa associação... ainda hoje me recorda que eu parecia o Pierrot, com a cara triste e a lágrima a escorrer, colada ao vidro da porta da sala, que dava para a rua.
Lembro-me bem do dia em que a associação fora assaltada. Ainda andava na escola primária. Nesse dia a minha ama foi-me buscar à escola e fiquei com ela na sua casa. Ai como desejei que a associação fosse assaltada mais vezes, muitas vezes, de preferência todos os dias!
Lá para o sexto ou sétimo ano comecei a ir apenas almoçar e passar poucas horas nessa instituição, em que me mantinha inscrita... lembro-me de uma educadora, apesar de ser uma situação acordada com os meus pais, dizer-me, com um certo ar, que aquilo não era nenhum hotel. Foi o último ano. Depois passei a ficar em casa sozinha. Ou melhor, primeiramente com o meu irmão.
Tenho recordações desses momentos, em que desejava tudo, menos ir para o infantário. Mas nada que me tenha matado. Estou viva, aqui, e feliz. Mas acredito que, como adultos, precisamos vigiar, para que aquilo que está na raiz, não deixe marcas. É bom observar para perceber se essa choradeira não é sinal de algo que a criança não consiga verbalizar.

Na terra da minha avó com cerca de dois anos...
Design: Canva.com

No meu caso, à distância, sinto que essa choradeira e mal estar interior, uma espécie de angústia, tinha a ver com vários aspectos, mas os predominantes eram:

  1. eu tinha vindo de um infantário em que tudo era pequeno, e todos nos conhecíamos bem, as educadoras eram muito carinhosas... e na instituição, para a qual não queria ir, era um espaço com muitas salas, muitas educadoras, muitos meninos... e eu sentia-me como se não fosse vista, não fosse acarinhada... mas na verdade era apenas a diferença da passagem de uma instituição para outra;
  2. eu tinha pouca confiança em mim, apesar de parecer o contrário, e nessa instituição não me sentia apoiada como na anterior, tinha a sensação que as educadoras preferiam todas as outras meninas do que a mim, que abraçavam mais as outras meninas do que a mim, que davam mais sorrisos e atenção às outras meninas do que a mim...;
  3. eu não falava acerca do que sentia, e no trabalho dos meus pais era paparicada, e sentia-me vista pelas pessoas, sentia-me acarinhada e sentia-me segura perto deles...
É incrível, nunca falei com eles sobre isto... mas veio tudo ao de cima ao ler tantas mães com o coração apertado por deixarem as suas crias a chorar, e a pedirem para que não as deixem. Às vezes pode ser apenas uma questão de adaptação... mas em qualquer dos casos, o mais importante é falar-se sobre isso. Não apenas acarinhar, e dizer que vai ficar bem... sobretudo falar para perceber o que a criança sente e desvendar a raiz de tal comportamento. Pode não ser nada, e pode ser qualquer coisa. 

Boas entradas na semana que nos bate à porta!

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