domingo, 31 de julho de 2016

Acordar para a Vida

Cada vez, por mais tempo acordada, a Mariana vai esperneando, fazendo vocalizações e deitando-nos o charme com sorrisos ainda sem alvo, mas que nos deixam com cara de parvos, de tão babados que ficamos.
Não têm sido dias fáceis. A linguagem dela, o choro, nem sempre se mostra perceptível à nossa compreensão. Mas como o pediatra dela diz "com os bebés é por tentativa-erro". E quando penso que já acertei... ups, recuo umas quantas casas neste jogo.
Nestes últimos dias tem-se irritado muito. Julgamos que é da barriguinha. Está com muitos gases e já alguns dias que a fralda só está molhada. Quando está a mamar, começa numa fúria com a mama, pois parece que quer mamar, mas algo a impede. Entre choro, berro, mão fincada na mama, uma sucção, um espernear intenso, e um enfiar a cara pela mama a dentro, lá temos ultrapassado as crises.
Por vezes, as crises dela abrem portas a crises nossas... de nervos. Mas tudo dentro do normal. Isto de não saber ao certo o que ela tem, ou quer, requer muito exercício de respiração e afirmações que nos mantenham serenos e confiantes.
Ser pais, foi com o Gui, é com a Mariana, e acredito que seria (ou será) com outro bebé, sempre uma grande aprendizagem... e uma das lições mais difíceis é viver com a suposição, a incerteza... o nada ser programável e programado. E em cada dia é um novo acordar para a vida, de todos nós.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

As Minhas Baterias

A Mariana fez na quarta-feira 7 semanas. E nesta semana o meu cansaço tirou-me por vezes a calma e a alegria... e acho que também foi o culpado da produção de leite baixar. É nestes momentos turbulentos que fixo os meus olhos no que me pode puxar para cima... e começo a pensar que são só sete semanas, ela é tão pequena. Há pouco menos de dois meses ainda não estava cá. Ela vivia noutro mundo. Agora, e ainda, precisa muito de mim, e de se adaptar a tudo o que a rodeia. Foco-me em todos os sustos e todos os sacrifícios feitos durante a sua gestação para a ter nos nossos braços. Concentro-me no cognome que lhe dei: milagre. E aí, o meu coração começa a encher-se de gratidão, as minhas baterias recarregam-se e eu volto a dizer adeus ao cansaço por mais um tempo.
Que bom que é fim de semana para aqueles que andam cansados e podem usar estes dois para restaurar as forças! Bom fim de semana. Sejamos gratos.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A Montanha que era uma Borbulha

O trio, que passou a quarteto com a Mariana, iniciou uma série de picnics quando ainda ela estava na minha barriga. Não por minha iniciativa. Sou mais de sentar à mesa do restaurante. Mas o papá gosta (e ainda bem!) destas aventuras e tem organizado alguns (bons) momentos à volta do grelhador num espaço livre perto de nós (ora à beira do Reno, ora no parque da cidade). E eu passei a gostar também.
A Mariana parece não ter nada contra. Já foi iniciada neste ritual familiar e portou-se lindamente. Como podem ver pela fotografia, não se incomodou com o que acontecia ao seu redor... dormiu praticamente o tempo todo. Só fez pausa para mamar, que ainda falta uns bons mesitos para dar uma dentada nas salsichas e comê-las dentro do pão.
E, neste momentos, é que me dou conta de como nós complicamos às vezes o que pode ser tão simples. Digo isto, porque com o Guilherme sempre tive dificuldade nos primeiros meses de sair de casa com ele, a não ser para as consultas e idas à casa dos avós paternos. Talvez por preguiça, não sei bem, mas começava a pensar na logística e desistia antes mesmo de tentar. E na altura a logística parecia uma montanha enorme, intransponível, mas agora, olhando à distância dos anos e da maturidade adquirida, parece-me uma pequena borbulha. Está bem que agora é verão e com o Guilherme ultrapassámos os primeiros meses no inverno. Mas até isso soa a desculpa.
Uma das complicações poderia ser o amamentar em público... poderia trazer-me embaraço... podia, se eu deixasse a minha mente invadir-me com os seus "ses" e "mas"... e fazê-lo tem sabor a liberdade. A mesma liberdade que festejamos quando decidimos que vamos para fora, aproveitar o bom tempo e celebrar a vida.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Mão

Foto: Ana Filipa Oliveira/2016
Foto: Ana Filipa Oliveira/2016
Nunca te vou conhecer como a palma da minha mão. Aliás, nem eu me conheço a mim própria de tal maneira. Quantas vezes já me desiludi e surpreendi comigo mesma!? Também não é assim que quero que seja a nossa relação.
Quero dar-te a minha mão, caminhar contigo, entre vales e prados. Quero dar-te a minha mão quando caíres, quando te sentires cansada, quando te faltar a motivação... mas também quando te levantares em vitória, quando a força te impulsionar para a frente, quando a determinação te levar lá longe... talvez até mesmo para longe do ninho.
Nas tuas mãos está o futuro. E as linhas que o traçam já começaram a ser escritas... mesmo antes de dares o primeiro sopro, mesmo antes do primeiro choro e do primeiro sorriso. Que sobre as nossas mãos dadas esteja a mão poderosa de Deus, protegendo-nos e guiando-nos por esta estrada que é a Vida.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

E a Ele através de ti

Gosto de te olhar! De ficar perdida em cada detalhe de ti. E cada vez que me perco nos teus pormenores, o meu coração começa a encher-se como um tanque que transborda para lá de si. A minha boca abre-se para agradecer o milagre que és. A minha alma festeja a mão daquele que te desenhou - assim perfeita - mesmo antes de estares no meu ventre. Celebro conhecer-te, a ti e a Ele. E a Ele através de ti. Como não posso eu estar feliz e comemorar a dádiva do céu que desceu sobre a nossa casa!? Todos os dias, apesar de todo o cansaço (que é muito!), não me canso de Lhe dizer: Obrigada. E de me perder a olhar para ti.

domingo, 24 de julho de 2016

Surpresa... por esta não esperava

Foto: Ana Filipa Oliveira/2016
Foto: Ana Filipa Oliveira/2016

Moramos há sete anos na Alemanha. Já vivemos em três cidades diferentes, dentro da mesma região. Viemos com a ideia que muitos em Portugal têm dos alemães: pessoas frias. Mas descobrimos que afinal é como em todos os países: há alemães assim, e há alemães assado. Como há portugueses assim, e portugueses assado.
Se os nossos anteriores vizinhos evitavam encontrar-se connosco nas escadas, os actuais vêm ao nosso encontro. Batem à nossa porta. Colocam-se à disposição para ajudar.
Fomos surpreendidos até pelos que temos menos contacto. Vieram-nos visitar, dar as felicitações pelo nascimento da Mariana e conhecê-la, trazendo-lhe uma pequena lembrança.
No trabalho do papá, enquanto ele estava em casa, imprimiram fotos da Mariana, plastificaram-nas e apresentaram-na aos trabalhadores da empresa, fazendo uma colecta para ela. Quando o papá regressou, tinha uma caixa, com um postal amoroso, um babete e um peluche, com o dinheiro recolhido.
Não são os presentes que me deixam de coração quente, é o facto de se lembrarem de nós, de nos acarinharem deste modo... é o gesto quente dos supostamente alemães frios, que me consola a alma.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Atrás de Ti

Este doce que vêem aqui... esta coisa fofinha que apetece pegar ao colo, apertar, dar beijinhos, embalar... tem o seu temperamento... e digamos que é difícil não nos lembrarmos como era o irmão nesta altura, e criar uma relação. Digamos que o ditado popular "Atrás de mim virá quem bom me fará." já foi várias vezes empregue.
O Guilherme era um bebé muito pacífico. Tudo estava bem para ele. Dormia e comia, não exigia colo, nem muito abanico. Era um relogiozinho para comer, mas não fazia um grande espectáculo. Já a Mariana é praticamente o oposto. Já apanhámos alguns sustos com ela, pois chega a ficar vermelhona e de respiração sustida, se não lhe respondemos ao que quer, por exemplo colo, abanico, comida (muito leitinho!)... 
Tal como não há duas gravidezes iguais uma à outra, também não há dois filhos. E é bom assim! Seria monótono, se fosse tudo igual. Ahh, mas que a Mariana faz do Guilherme um santo, faz. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Nos Fios dos teus Cabelos

Foto: Ana Filipa Oliveira/2016
Foto: Ana Filipa Oliveira/2016
Nos fios dos teus cabelos há histórias de encantar... há seda que nos relaxa ao toque... há doce que derrete a partir do coração... há sorrisos presos em cachos de amor... há sonhos embrulhados em esperança... há incertezas levadas a sério... Nos fios dos teus cabelos penduram-se os meus dedos... escorre o meu carinho... Nos fios dos teus cabelos...

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Que os Anos não tenham Espaço

É-me impossível saber aproximadamente o que ele sente. Sou irmã mais nova. Não sei o que é ter irmãos mais novos do que eu. Talvez possa aproximar-me do seu sentimento, quando penso no que senti ao nascer a minha sobrinha. Tinha eu 17 anos. Ou se calhar, é muito mais fácil... aquilo que ele sente é o amor "materno", mas em miniatura.
Nunca duvidei que ele seria um óptimo irmão mais velho. Cada dia comprova-se isso mesmo. Ele é cuidadoso, amoroso, protector, orgulhoso... Em cada gesto deposita todo o desejo de a ter com ele -desejo acumulado durante estes anos todos de espera; e os 9 meses que a viu crescer na minha barriga.
Pergunta-me, não querendo errar no cuidado com ela, se a poderá levar e buscar ao infantário e à escola, quando for esse o tempo. Procura todos os dias dar um passo ao encontro dela... aprendendo coisas práticas, como pegá-la, colocar a fralda...
De manhã, assim que acorda, vai ter connosco à cama. Normalmente estou a dar de mamar, e ele fica ali, ao pé de nós, dando-lhe beijinhos nas pernas, ou simplesmente... fica. E depois de muito olhar para ela, diz com o coração cheio "Ela é tão fofa! Eu nem acredito que eu tenho uma irmã!" (Isso compreendo bem. Pois, às vezes, mesmo eu, olho para ela e penso "É real! Ela está aqui nos meus braços.")
Como mãe, alegra-me este amor delicado. E desejo tanto que seja por muito tempo, um tempo infinito, em que os anos não tenham espaço.

domingo, 10 de julho de 2016

Projecto 13# Embrulho Original

"Quando não se tem cão, caça-se com gato.", assim diz o ditado e o lema cá de casa. Pelo menos, o meu. O Guilherme foi convidado para uma festa de anos e a loja, onde comprámos o presente, não fazia embrulhos. Comprar papel de embrulho extra?! Não. Fazemos o nosso.

Pegámos no rolo de papel que tínhamos cá em casa (e que se compra no IKEA). Desculpem, mas não sei exactamente o nome do papel. Fomos buscar os nossos lápis de cor, de carvão e uma borracha. E mãos à obra.


Pegámos no convite, colocámo-lo à janela e copiámos com o lápis de carvão a imagem. E depois pintámos.


O presente já tinha sido embrulhado. Era hora de colar o nosso desenho ao embrulho com uma fita cola colorida. E, neste caso, uma transparente, para se poder ler o que estava escrito no papel.


Por trás, colámos um chupa e um saquinho de gomas.

Rápido, personalizado e doce :-)

sexta-feira, 8 de julho de 2016

É festa, é festa

Hoje é dia de comemoração. É a festa do primeiro mês de vida da Mariana.

Apesar de normalmente ter facilidade em escrever, já escrevi e apaguei as linhas deste post inúmeras vezes. Há tanto para dizer, mas não encontro o princípio e o fim, o mais importante e o menos importante... poderia falar da casa que deixou de ter a ordem que tinha. Poderia falar das noites mal dormidas e do cansaço diurno. Poderia falar dos sobressaltos dos pequenos barulhos, dos movimentos mais descoordenados... da nossa Princesa. Poderia falar das vindas da parteira a casa para a ver ou das nossas idas ao médico. Poderia falar da indescritível sensação de a ter nos nossos braços. Poderia falar do maravilhoso que é vê-la tão relaxada a dormir. Poderia falar da alegria do mano e da sua relação com ela. Poderia falar de tanta tanta coisa, mas nada era completo, nada era redondo, ao ponto de revelar aquilo que foi este mês, que está a ser a nossa vida. E, na soma das coisas, é isso: estamos a celebrar a Vida: a dela, a nossa e aquela que misteriosamente flui até e através de todos nós.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Equipa Vencedora

Os nossos pintainhos crescem. De repente, o Guilherme já acabou a escola primária. É lugar comum, mas o tempo voa. Quando nos damos conta, já temos um miúdo na puberdade. Sim, que ele diz ter lido num livro que já se encontra nessa fase. Agora, vivo entre fraldas e equações. 
No outro dia diz-me, com o seu ar conhecedor e convicto: "Mãe, não posso usar roupa justa!" e, claro que lhe pergunto pela razão: "Porque os meus músculos precisam de espaço para crescer!" Os músculos não digo, mas que o corpo todo tem crescido, isso não tenho dúvida.
Quando o abraço, fico com a sensação que em breve estará do meu tamanho. Não faltará muito. Ok, está bem, também não sou das pessoas mais altas... mas assim!? Já!? De repente?! E nesse abraço, sinto o corpo maciço, forte, robusto... as feições de criança a desaparecer e dar lugar às de um homenzinho... 
Agora há que preparar a nova fase. Eu lembro-me quando mudei para a escola preparatória. Tudo parecia enorme ao meu olhar de iniciante. Lembro-me de estarmos em fila, encostados à parede, prontos para sair de um dos pavilhões... e uma trupe barulhenta, e alta, a entrar... passando por nós como gigantes em acção. E deu um medozinho no estômago... 
E preparar a nova fase não é prepará-lo só a ele. Também temos de nos preparar, pois novos desafios nos esperam. E como equipa queremos vencê-los. 

domingo, 3 de julho de 2016

Em Rede

As saudades de voltar a escrever falaram mais alto do que os obstáculos que me têm feito ficar longe da partilha do meu dia a dia, das minhas experiências e perspectivas acerca do que sou, do que me rodeia...
Sinto uma lufada de ar fresco a entrar na minha vida. Quero a liberdade de ser quem sou e viver isso intensamente, sem abrigos, nem refúgios.
Contem com as minhas palavras, os meus testemunhos, as minhas aventuras... acredito que a vida tem muito mais sentido quando partilhada, quando transparente... não pretendo ser exemplo para ninguém, pois sou tão imperfeita como qualquer um... mas creio que por vezes um outro olhar, uma nova perspectiva sobre uma situação ou tema, pode mudar muita coisa nas nossas vidas. Se as guardarmos para nós mesmos, então não produzem frutos. Quero ser uma figueira que dê figos! Não para minha glória, mas para o bem comum.
Não faço promessas. Mas tenho o desejo de escrever diariamente. Sinto que a escrita, quando não treinada, enferruja. Quero escrever de novo com leveza, com a capacidade de brincar com as palavras... porque me faz bem à alma, por me conecta com o outro, esse outro que está agora a ler este texto, que posso conhecer ou ainda não... mas com o qual, de alguma forma, estou ligada... na rede que a internet é, mas sobretudo na rede que a humanidade tece em conjunto.

sábado, 2 de julho de 2016

Uma Mãe não pode...

Estávamos em Julho de 2005. O Guilherme devia ter três meses na minha barriga. Ainda quase nem se notava que era barriga de grávida. Mas quase todos sabiam. Aliás, eu nem esperei pelas 12 semanas, para contar a novidade a toda a gente que se cruzava comigo. Como diz o meu marido, mesmo antes de eu dizer "Olá!" já estava a anunciar que estava grávida. Tal era o estado de abençoada em que me sentia!
Recordo-me claramente de, neste dia, sentar-me no chão do pavilhão de desportos, onde havia um campeonato da modalidade que treinávamos. Fiquei a assistir, a alguma distância, a um combate que estava a acontecer. Aproximou-se de mim um dos mais velhos e chamou-me a atenção acerca da minha postura. Manifestou que, como grávida, não deveria ter tal atitude. Respondi-lhe com a mesma leveza que continuei sentada no chão daquele pavilhão.
Quando nos tornamos "geradoras e gestoras" de uma vida, parece que nos cobram que deixemos de ter a nossa própria. É como se fosse uma troca. Podes ser mãe, mas tens de deixar de ser pessoa, mulher... nunca aceitei essas regras escritas no vento, quer grávida, quer não estando. Pergunto ainda, num tom de brincadeira, quando alguém me as prescreve, em que parágrafo de que lei está isso escrito!? Costuma-se dizer: Cada um sabe de si, e Deus sabe de todos nós.
Eu estava tão feliz por estar grávida que essa felicidade alargou-se a umas compras para mim mesma. Gastei algum dinheiro com saias, calças, t-shirts, casacos, soutiens, chinelas... e até uma mala nova. Uma mala nova é sempre bom para marcar algum acontecimento!
Não fui ao mais caro. Comprei quase tudo (se não tudo!) na H&M. E desta vez, com a gravidez da Mariana, já não fui tão mãos largas, apesar de especialmente não o ter sido com o Guilherme. Comprei algumas t-shirts, algumas calças, três soutiens... Só duas calças são exclusivamente de grávida, que aliás uso agora que já não estou. De resto comprei tudo com o intuito de (re-)utilizar após a gravidez, nem que seja para andar por casa ou fazer desporto (quando vier a fazê-lo :-).
Não sei se ajudou o facto de na gravidez do Guilherme ter engordado 20 quilos. E da Mariana cerca de metade. Além disso, do Guilherme atravessei a Primavera, o Verão, o Outono e o Inverno, por esta ordem. A Mariana nasceu na Primavera. Na fase que estava mais pesada, bastava-me umas t-hirts e calças. Já com a etapa final do Gui precisava de muito mais roupa.
Quando passamos a ter um ser no nosso ventre, por vezes somos alvo de críticas pelo comportamento, pelo que vestimos, pelo que comemos... se não soubermos o que somos e o que queremos ser, então é fácil deixarmo-nos contaminar por essas leis escritas no vento, que nos fazem dançar uma música que não é a nossa.

Foto retirada do baú. Julho de 2005
Mais ou menos três meses de Gui... na barriga.

Texto em jeito de comentário ao post Como mãe... podemos? do blog A mãe é que sabea fingir que sou um blog de moda [gravidez, gravidez e gravidez] do blog Dias de Uma Princesa.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Eu com Ela e Ela Comigo... e Nós, Todos Juntos

Eu iludo-me. Acho que sou calma. Na verdade sou agitada. Corporalmente não se nota. Não sou de muita actividade física, não me mexo muito, não sou muito activa na acção, mas nos pensamentos... Sou das pessoas que não gosta de férias de duas semanas com pensão completa num hotel com piscina junto à praia, e ficar esse tempo todo de papo para o ar à torreira do sol sem produzir nada. Gosto de férias em que alargue o meu horizonte cultural e humano. Também não sou daquelas que se levanta nas férias cedo para ir correr, depois ir dar umas braçadas na piscina, participar de uma aula de salsa... ou andar todo o dia a fazer caminhada...
Com a Mariana dei-me conta - novamente - dessa minha característica, e isto ainda passadas poucas horas do seu nascimento. Em geral com a Mariana tenho de ser mais sensível e delicada. Ela assusta-se muito e pede-me contacto físico, como quem procura segurança no meu colo. No amamentar é semelhante. Não a posso apressar. Quando ela precisa de uma pausa, há que perceber isso e dar-lhe espaço. Quando ela fica furiosa, por uma razão que ainda desconheço, no início da mamada, mesmo tendo o mamilo na boca... há que respirar fundo, manter a calma e esperar que ela ultrapasse essa dificuldade.
Amamentar leva tempo e eu não posso estar com a cabeça nos meus projectos e afazeres, mas no aqui e agora, nesse momento que é só nosso. Tenho tendência para pegar no telemóvel, quando demora muito, e ver o que há de novo. Se faz mal? Acho que não, mas se for regra, então deixo passar a simbiose desse momento por estar com a cabeça noutro lado... e depois, mais tarde, vou pensar que não desfrutei deste tempo precioso.
Durante a noite, nas noites de mais cansaço, contorço-me, como se tivesse dores corporais... mas são dores fantasma... dores devido ao cansaço, e a demora da mamada. Por vezes, adormeço a dar de mamar, o que não me agrada, pois receio pelas consequências... o meu cérebro passar-me uma rasteira e esquecer-me do que estava a fazer, de que tenho um pequeno ser ao meu lado...
Para evitar esse cansaço perdi a vergonha de dormir um pouco durante o dia, enquanto a Mariana descansa. Tem sido de imensa importância. E borrifo-me para que as pessoas me achem preguiçosa ou que me carimbem com outro nome... nunca sabemos como será a noite, por isso se vamos para o mar, há que nos aviar em terra.
E é entre a calma e a agitação do meu interior, do seu interior, do nosso lar, dos dias... que nos vamos conhecendo e crescendo, eu com ela e ela comigo... e nós, todos juntos.
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