sexta-feira, 1 de julho de 2016

Eu com Ela e Ela Comigo... e Nós, Todos Juntos

Eu iludo-me. Acho que sou calma. Na verdade sou agitada. Corporalmente não se nota. Não sou de muita actividade física, não me mexo muito, não sou muito activa na acção, mas nos pensamentos... Sou das pessoas que não gosta de férias de duas semanas com pensão completa num hotel com piscina junto à praia, e ficar esse tempo todo de papo para o ar à torreira do sol sem produzir nada. Gosto de férias em que alargue o meu horizonte cultural e humano. Também não sou daquelas que se levanta nas férias cedo para ir correr, depois ir dar umas braçadas na piscina, participar de uma aula de salsa... ou andar todo o dia a fazer caminhada...
Com a Mariana dei-me conta - novamente - dessa minha característica, e isto ainda passadas poucas horas do seu nascimento. Em geral com a Mariana tenho de ser mais sensível e delicada. Ela assusta-se muito e pede-me contacto físico, como quem procura segurança no meu colo. No amamentar é semelhante. Não a posso apressar. Quando ela precisa de uma pausa, há que perceber isso e dar-lhe espaço. Quando ela fica furiosa, por uma razão que ainda desconheço, no início da mamada, mesmo tendo o mamilo na boca... há que respirar fundo, manter a calma e esperar que ela ultrapasse essa dificuldade.
Amamentar leva tempo e eu não posso estar com a cabeça nos meus projectos e afazeres, mas no aqui e agora, nesse momento que é só nosso. Tenho tendência para pegar no telemóvel, quando demora muito, e ver o que há de novo. Se faz mal? Acho que não, mas se for regra, então deixo passar a simbiose desse momento por estar com a cabeça noutro lado... e depois, mais tarde, vou pensar que não desfrutei deste tempo precioso.
Durante a noite, nas noites de mais cansaço, contorço-me, como se tivesse dores corporais... mas são dores fantasma... dores devido ao cansaço, e a demora da mamada. Por vezes, adormeço a dar de mamar, o que não me agrada, pois receio pelas consequências... o meu cérebro passar-me uma rasteira e esquecer-me do que estava a fazer, de que tenho um pequeno ser ao meu lado...
Para evitar esse cansaço perdi a vergonha de dormir um pouco durante o dia, enquanto a Mariana descansa. Tem sido de imensa importância. E borrifo-me para que as pessoas me achem preguiçosa ou que me carimbem com outro nome... nunca sabemos como será a noite, por isso se vamos para o mar, há que nos aviar em terra.
E é entre a calma e a agitação do meu interior, do seu interior, do nosso lar, dos dias... que nos vamos conhecendo e crescendo, eu com ela e ela comigo... e nós, todos juntos.

2 comentários:

  1. Vergonha?!? Vergonha é não dormir de dia! Vergonha é dar ouvidos a quem diz essas coisas!
    Estou a contar os minutos para vos encher de beijos!!!

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    1. Por vezes quem diz essas coisas são pessoas imaginárias ou o nosso imaginário acerca das pessoas :-) a luta maior que travamos, para mim, começa sempre na mente. A nossa mente é um tabuleiro de xadrez kkkk

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