sexta-feira, 15 de julho de 2016

Que os Anos não tenham Espaço

É-me impossível saber aproximadamente o que ele sente. Sou irmã mais nova. Não sei o que é ter irmãos mais novos do que eu. Talvez possa aproximar-me do seu sentimento, quando penso no que senti ao nascer a minha sobrinha. Tinha eu 17 anos. Ou se calhar, é muito mais fácil... aquilo que ele sente é o amor "materno", mas em miniatura.
Nunca duvidei que ele seria um óptimo irmão mais velho. Cada dia comprova-se isso mesmo. Ele é cuidadoso, amoroso, protector, orgulhoso... Em cada gesto deposita todo o desejo de a ter com ele -desejo acumulado durante estes anos todos de espera; e os 9 meses que a viu crescer na minha barriga.
Pergunta-me, não querendo errar no cuidado com ela, se a poderá levar e buscar ao infantário e à escola, quando for esse o tempo. Procura todos os dias dar um passo ao encontro dela... aprendendo coisas práticas, como pegá-la, colocar a fralda...
De manhã, assim que acorda, vai ter connosco à cama. Normalmente estou a dar de mamar, e ele fica ali, ao pé de nós, dando-lhe beijinhos nas pernas, ou simplesmente... fica. E depois de muito olhar para ela, diz com o coração cheio "Ela é tão fofa! Eu nem acredito que eu tenho uma irmã!" (Isso compreendo bem. Pois, às vezes, mesmo eu, olho para ela e penso "É real! Ela está aqui nos meus braços.")
Como mãe, alegra-me este amor delicado. E desejo tanto que seja por muito tempo, um tempo infinito, em que os anos não tenham espaço.

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