sábado, 2 de julho de 2016

Uma Mãe não pode...

Estávamos em Julho de 2005. O Guilherme devia ter três meses na minha barriga. Ainda quase nem se notava que era barriga de grávida. Mas quase todos sabiam. Aliás, eu nem esperei pelas 12 semanas, para contar a novidade a toda a gente que se cruzava comigo. Como diz o meu marido, mesmo antes de eu dizer "Olá!" já estava a anunciar que estava grávida. Tal era o estado de abençoada em que me sentia!
Recordo-me claramente de, neste dia, sentar-me no chão do pavilhão de desportos, onde havia um campeonato da modalidade que treinávamos. Fiquei a assistir, a alguma distância, a um combate que estava a acontecer. Aproximou-se de mim um dos mais velhos e chamou-me a atenção acerca da minha postura. Manifestou que, como grávida, não deveria ter tal atitude. Respondi-lhe com a mesma leveza que continuei sentada no chão daquele pavilhão.
Quando nos tornamos "geradoras e gestoras" de uma vida, parece que nos cobram que deixemos de ter a nossa própria. É como se fosse uma troca. Podes ser mãe, mas tens de deixar de ser pessoa, mulher... nunca aceitei essas regras escritas no vento, quer grávida, quer não estando. Pergunto ainda, num tom de brincadeira, quando alguém me as prescreve, em que parágrafo de que lei está isso escrito!? Costuma-se dizer: Cada um sabe de si, e Deus sabe de todos nós.
Eu estava tão feliz por estar grávida que essa felicidade alargou-se a umas compras para mim mesma. Gastei algum dinheiro com saias, calças, t-shirts, casacos, soutiens, chinelas... e até uma mala nova. Uma mala nova é sempre bom para marcar algum acontecimento!
Não fui ao mais caro. Comprei quase tudo (se não tudo!) na H&M. E desta vez, com a gravidez da Mariana, já não fui tão mãos largas, apesar de especialmente não o ter sido com o Guilherme. Comprei algumas t-shirts, algumas calças, três soutiens... Só duas calças são exclusivamente de grávida, que aliás uso agora que já não estou. De resto comprei tudo com o intuito de (re-)utilizar após a gravidez, nem que seja para andar por casa ou fazer desporto (quando vier a fazê-lo :-).
Não sei se ajudou o facto de na gravidez do Guilherme ter engordado 20 quilos. E da Mariana cerca de metade. Além disso, do Guilherme atravessei a Primavera, o Verão, o Outono e o Inverno, por esta ordem. A Mariana nasceu na Primavera. Na fase que estava mais pesada, bastava-me umas t-hirts e calças. Já com a etapa final do Gui precisava de muito mais roupa.
Quando passamos a ter um ser no nosso ventre, por vezes somos alvo de críticas pelo comportamento, pelo que vestimos, pelo que comemos... se não soubermos o que somos e o que queremos ser, então é fácil deixarmo-nos contaminar por essas leis escritas no vento, que nos fazem dançar uma música que não é a nossa.

Foto retirada do baú. Julho de 2005
Mais ou menos três meses de Gui... na barriga.

Texto em jeito de comentário ao post Como mãe... podemos? do blog A mãe é que sabea fingir que sou um blog de moda [gravidez, gravidez e gravidez] do blog Dias de Uma Princesa.

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