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As Cores menos Luminosas da Cena

Antes de amamentar sonhava com a parte bonita, a mais falada e conhecida, mas desse quadro ficavam de fora as cores menos luminosas da cena.
Quando na prática as comecei a viver, cresceu uma espécie de revolta no meu interior contra pessoa incerta. Revolta por me falarem tanto, e tantas pessoas, do parto, das coisas terríveis dessa hora (ou melhor, horas), mas do que se vive nos meses seguintes... ninguém me esclareceu com tanta veemência.
Para mim tornou-se mais difícil o acordar para amamentar, sem descanso prolongado, do que propriamente o parto. Amamentar requer, com sorte, que estejamos a dar mama de três em três horas, que na realidade só nos permite - no máximo - dormir duas horas seguidas, pois amamentar leva tempo, pelo menos 20 minutos, para além da preparação das mamadas... ou seja, lavar tetinas, biberões, esterilizá-los, ou extrair leite... ou mudar a fralda...
Como não descansava durante o dia, enquanto o Gui dormia, e deitava-me às mesmas horas que anteriormente, estava a ficar exausta e o meu cérebro já me pregava partidas. Com dois meses, ele passou a dormir cinco horas seguidas, e isso já me possibilitou alguma recuperação. E até lá o biberão, que o Kevin lhe pudesse dar à noite, já era um grande apoio.
Através da experiência com o Guilherme vivi na prática o resultado do stress e das preocupação na dificuldade de produção de leite; melhor, da própria amamentação, pois de repente o foco deixa de ser o amamentar a peito, para o ver o mais rapidamente recuperado, o que me levou a não ser insistente nas respostas em relação a dar leite materno no internamento.
Por outro lado, considero que este processo precisa de qualidades como paciência e serenidade por parte da mãe, mas também respeito pela mãe e pelo bebé. Isto é respeitar os medos e as dúvidas das mães e os ritmos dos bebés. Eu estava demasiadamente nervosa e medrosa. Pouco perguntava, quase com medo das respostas. Ele era tão pequenino. Vê-lo internado, tirou-me o chão, criou-me medos, dúvidas....
Estou certa que para dar certo é essencial: perseverança. Desistir perante os problemas, que a amamentação coloca, leva-nos a retirar um tesouro que pertence aos nossos filhos, dado através de nós: o leite materno.
Com a Mariana procuro por em prática o que aprendi com o Guilherme. Não só com o que deu certo, mas (sobretudo) com o que foi um passo em falso. [Continua]

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