terça-feira, 31 de janeiro de 2017

|Dia dos Namorados| Comunicação... mas Falhada

Aquele cachecol ficou pequeno e talvez imperfeito. Aquele gorro talvez ela nunca tenha usado. E o xaile, esse ficou para mim. Fiz estas e outras peças em malha e ofereci. Ofereci como prenda. E talvez quem tenha recebido tenha olhado para as imperfeições, e não tenha visto aquilo que era invisível aos olhos... o meu amor, a minha dedicação, a minha entrega... um pedaço de mim... várias horas do meu tempo... Era tão mais fácil ir à loja e comprar. Pegar em algo já feito, com um preço de mercado, embrulhar e dar. Mas, para mim, não sabia à mesma coisa... sabia a presente despido de quem o dá. 
A ele ofereci um e a ela outro. Nunca os vi nos seus quartos ou noutra divisão da casa. Se calhar não gostaram... não combinava com o restante... não tinha utilidade... mas estava carregado do meu carinho, do meu investimento pessoal, da minha criatividade, de um retalho da minha alma. Fi-los em barro. Comprei-o cru e moldei-o levada pelo espírito que me guiava. E no final descansei, porque achei que o que fiz era bom. E alegrei-me de poder oferecê-lo... a quem eu queria bem. 
Criar algo a partir da matéria prima, colocar as nossas mãos ao serviço, e fazê-lo com boa vontade, gosto, prazer, alegria... faz que o trabalho, que isso dá, se esfumace, desapareça... ficamos apenas leves e encantados com o processo. E com a esperança que aqueça o coração de quem o irá receber.
Às vezes aquilo que nós oferecemos aos outros, eles não têm necessidade, não querem, ou não percebem a dimensão do que lhes damos. E isso, não é erro dos outros. Por vezes entregamo-nos por completo de uma forma que não diz nada ao outro. Isso é comunicação... falhada.
Ocorre-me agora que a euforia interior que sentia ao fazer estes presentes e entregá-los, era como o de uma criança que quer alegrar a sua mãe - "Vês o que fiz para ti? Não está tão lindo?". Quem sabe, se quando estamos a procurar alegrar os outros, e eles não se alegram, não signifique que estamos a colocá-los - inconscientemente - no lugar de outra pessoa. Quando queremos alegrar uma pessoa com uma prenda, pensamos nela, no que ela gosta, no que ela precisa, no que combina com as suas coisas... e isso a alegrará. Se não alegra, pensámos noutra pessoa, mesmo que tenha sido apenas uma rasteira invisível da nossa mente.
Vem aí o Dia dos Namorados... já se fala disso na net... quer comprem, quer façam, pensem bem...

Foto: Ana Filipa Oliveira

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