quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Novembro é...

Novembro mescla escuridão e luminosidade. Em Novembro existe luta entre as trevas e a luz, entre a morte e a vida.
Antigamente, na terra da minha avó, a abertura deste mês era ponto alto para os miúdos que iam, com um saco, bater às portas para lhes darem um doce, caso contrário levavam com uma travessura da criançada. Mas nos dias de hoje já não há brincadeiras inocentes e saltitantes como essas. Agora é abóboras luminosas, sangue a escorrer da boca, bocas cosidas, roupas rasgadas, dentes aguçados... mas pronto, o Halloween já lá vai. As bruxas, os vampiros e todos esses seres vestidos de preto e com um ar tão mórbido já voltaram a vestir-se de gente normal.
Por falar em terra da minha avó (sublinhar que também é, ou melhor, é mais da minha mãe do que da minha avó - já fui chamada a atenção acerca disso!)... era por esta altura que se fazia uma feira na capital do concelho e para a qual as pessoas das aldeias se deslocavam em massa. Era um momento esperado. Lá em casa era, sem dúvida. O meu avô que raramente, muito raramente, saía de casa, lá fazia o favor de nos acompanhar. E eu, pequena, ganhava umas botas novas para o tempo de inverno que já estava quase quase a chegar. Era uma alegria. Eram tendas e mais tendas no largo das piscinas. Para mim, ainda criança, era um evento enorme e movimentado. Certo dia perdi-me. De repente estava sozinha. Mas lembrei-me do que a minha mãe sempre me dizia. "Se te perderes da mãe, fica onde nos vimos por último." e assim foi. Ali fiquei, e ela lá apareceu. Grande aventura, nesse ano! Recordo-me que se vendia de tudo e ainda tenho em memória que o serviço de loiça da minha avó foi lá comprado. Bem, para os meninos de hoje, deve ser uma actividade enfadonha e sem interesse algum... hoje há supermercados em cada esquina, e hipermercados em cada curva... hoje há centros comerciais e compras online... mas naquele tempo... era esperar pela feira. E com muita alegria!
E o nome da feira prende-se com o dia 1 de Novembro: Dia de Todos os Santos, ao qual se segue o Dia dos Finados, o Dia dos Fiéis Defuntos, ou o Dia das Almas. E começa-se o mês no meio das campas, ou na igreja a orar pela alma dos mortos. Gente, que bela entrada tem este mês!? Mas não é para continuar assim...
Este é mês de celebração, de festa, de muitos aniversários. É, portanto, mês de vida, de luz, de cores intensas... e de castanhas assadas (pronto, apeteceu-me! sobre elas falo noutro post), de folhas caídas no chão, de casacos mais quentinhos, de botas (estes já não compradas na feira dos Santos), de luz acesa às seis da tarde, de lençóis de flanela... e Novembro para ti, o que é?  

Foto: Ana Filipa Oliveira / 11.2014
Novembro de 2014 foi tempo de visitar Gloucester, Inglaterra
Novembro também é tempo de recolher das esplanadas. É tempo de interior.

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