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Isto já não é o que era!

fevereiro 27, 2018

Tradições, costumes, rituais, rotinas... todos estes conceitos nos remetem para uma acção ou conjunto delas repetidas várias vezes de um modo periódico. O nosso calendário anual tem várias tradições que se repetem todos os anos mais ou menos na mesma altura. Começa com a Passagem do Ano, passa pelo Dia dos Namorados, avança para o Carnaval, faz uma pausa até à Páscoa, depois vêm as festas de verão, do Santo António até ao Santo que desconheço o nome, e no final do ano temos o Halloween, o Advento e o Natal. Como é que vivemos essas repetições na nossa vida? Para que é que elas servem na nossa organização pessoal? Este post pretende dar resposta a essas e outras perguntas.

A foto usada nesta capa é de Mink Mingle e encontrada no Unsplash

Como se Formaram essas Tradições?

A maior parte dos dias e períodos festivos do nosso calendário devem-se a momentos históricos do nosso país, ou estão ligados à história da religião. Chegaram até nós, porque passaram de geração em geração. E porque várias famílias, numa mesma sociedade, as perpetuaram. Albert Einstein diz que:

Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos.


Eu acredito nesta verdade. Os nossos hábitos imprimem-se no nosso ser, e transformam o nosso carácter. E os hábitos ligados às tradições familiares e da cultura em que vivemos têm esse poder. Desde pequenos que interiorizamos certos dogmas e vivemos aquilo que a nossa crença nos leva a viver, e isso modifica o nosso ser.

Eu nasci e cresci numa família católica. Lembro-me de certas tradições nesse campo. Acredito que elas moldaram grande parte daquilo que sou hoje. E por vezes é difícil interromper o seu efeito sobre as nossas vidas. Karl Marx resumia o que digo na seguinte frase:


Os homens fazem a sua própria história, mas não o fazem como querem... a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. 

Photo by Daniel Mingook Kim on Unsplash

Faz Sentido nos Dias Actuais?

Todas esses períodos do nosso calendário anual que citei em cima ainda têm razão para serem repetidos pelas novas gerações? Por exemplo, uma grande parte de nós sublinha, na época de Natal, que se deixou de viver o verdadeiro espírito natalício e passou-se a viver o comercial. Então, porque é que continuamos a viver um ritual, que na sua origem era religioso, completamente descontextualizado do seu significado intrínseco? Porque é que milhares de pessoas que não acreditam na religião, dizem festejá-lo (mesmo que seja desse modo comercial)?
Mas se há esse modo irreflectido de viver os costumes religiosos, que passaram a ser pagãos e comerciais, também há uma tendência na nova geração de ignorar por completo essas datas na agenda. Há quem, por exemplo, decida ir de férias para outro país no Natal, pois não encontra nenhum sentido na comemoração desta data.
Acredito, contudo, que seja difícil numa família tradicionalista desempenhar o papel do rebelde, e não participar desses momentos, porque esses laços invisíveis que nos ligam à nossa família, ao nosso clã, puxam-nos a pertencer, a fazer parte, a não ficar de fora.
Um poeta russo, de nome Alexandre Blok, que nasceu em 1880 - portanto não é da geração actual, - mostrava que essa rebeldia também pode iniciar uma tradição:


Infringir a tradição também é uma tradição.


Quais os efeitos que têm nas nossas vidas?

As tradições têm um papel, que, a meu ver, tem muito valor. Não estou a falar de uma tradição específica, mas das tradições em si. Quanto a mim, o seu valor deve-se a serem marcos de orientação na nossa caminhada. É como se fossem check points do nosso percurso. "Como é que eu estava na última Passagem de Ano? Sou a mesma pessoa passado um ano?" ou "Quem eram os que estavam à mesa comigo no Natal passado? Onde estão eles hoje? Como estão as nossas relações?" são apenas alguns dos pensamentos que nos podem ocorrer devido a termos um marco, que nos permite comparação, e, ao mesmo tempo, uma pausa para reflexão. E assim procurar evoluir a partir daí.

Photo by Scott Warman on Unsplash


Assim, sejam tradições antigas, ou que iniciámos;, sejam religiosas ou sem contexto religioso... devemos ter presentes nas nossas vidas estes períodos de reflexão, que nos trazem inputs sobre o estado actual da nossa caminhada e que nos oferecem, assim, novos rumos no nosso percurso. Que as tradições que perpetuamos sejam, acima de tudo, autênticas, cheias de verdade, da nossa verdade. Que não sejam repetições vãs de algo que foi feito sempre assim e faremos, então, sempre assim.


Sobre o projeto A Cultura Mora Aqui

Criado pela Ju, do blog Cor Sem Fim, o projeto A Cultura Mora Aqui - ou ACMA, para abreviar - tenciona, tal como tenho vindo a referir nos meses anteriores, trazer a cultura de volta à internet com temas mensais ou bimestrais. Para participarem, só têm de enviar um e-mail com os vossos dados para acma.cultura@gmail.com - aproveito para repetir que não vamos falar sobre outfits, maquilhagem, moda, etc, e que qualquer um de vós pode participar, não sendo obrigatório fazê-lo todos os meses. Para não perderem nenhum post, já podem seguir a página do ACMA no Facebook e a Revista.


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