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Aventuras e Birras Partilhadas

Há momentos entre a Mariana e o Guilherme que me fazem voar na minha história... até cerca de 36 anos atrás. Eu nasci a filha mais nova. Tive (e tenho) o privilégio de ter um mano mais velho. Claro que sou incapaz de me lembrar dessa fase precoce da minha vida, mas a Mariana e o Guilherme permitem-me imaginar como foi esse tempo, em que fui recebida na minha família, e em especial pelo meu irmão.
Ele tinha oito anos a mais do que eu. Viveu, portanto, um reinado de quase uma década sem dividir atenções. Viveu sozinho, sem a companhia de uma outra criança... para partilhar as aventuras e para criar brigas sem norte. De repente, cá estava aquele pequeno ser que mexia com toda a família. A dinâmica da casa era outra, era nova, era estranha para ele, habituado a outro ritmo... Mas ao mesmo tempo era tão doce poder olhar para aquela bonequinha, tocá-la, vê-la a fazer as suas gracinhas... o primeiro sorriso...
Não sei se os meus pais o deixaram participar dos cuidados comigo. Nem sei se ele quis. Não sei se o mandaram calar para não acordar a irmã, que dormia. Não sei se deixou de fazer algo que gostava, porque eu vim estragar a festa, sendo a prioridade. Não sei se ele quis mostrar-me aos amigos e se os pais o fizeram. Não sei se chorou ao ter-me no colo pela primeira vez. Não sei se todos os dias, quando acordava, a primeira coisa que fazia era dar-me os bons dias. Não sei se ele me empurrava no carrinho todo orgulhoso pela rua fora. Não sei...
Não sei... mas estou certa, que mesmo que não sejamos os irmãos mais lamechas do mundo, mesmo que não falemos muito frequentemente, nem falemos directamente das coisas mais profundas das nossas almas... mesmo assim, sei, estou certa, que podemos contar um com o outro, e que a vida é bem melhor acompanhada, partilhando as aventuras e as birras... em criança e em adulto.

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