| Foto: Ana Filipa Oliveira/ 11.2011 |
O Guilherme entra hoje de férias: as férias da batata. Bem, actual e oficialmente chamam-se férias de Outono. Na cidade, os miúdos vão usar esse tempo livre para outras actividades. Mas no campo ainda alguns dos pequenos vão ajudar os pais na apanha desse tubérculo, como na época da guerra e do pós-guerra.
Nesse tempo, as boas colheitas eram essenciais para a sobrevivência das famílias, por isso era importante tirar a batata no tempo certo. E como a minha avó diz: "o trabalho de menino é pouco, e quem o desperdiça é louco". Muitos homens, nessa altura, estavam noutro campo, no campo de batalha (guerra), e muitos faleceram nele, por isso era primordial o trabalho das crianças. Eram as dos 10 aos 12 anos que acompanhavam as mulheres na apanha. Com as mãos cavavam para colher as batatas.
O dia de trabalho começava no início da manhã com a ida de todos para o campo. Às mulheres e às crianças mais velhas era-lhes dado um ancinho e uma cesta. De joelhos, deslizavam ao longo das covas e retiravam para o lado a erva do topo das batata. Com os ancinhos retiravam as batatas da terra. Para protecção das mãos havia luvas. Aliás esta actividade era foi feita à mão até aos anos 60, altura em que foi
introduzida lentamente a colheita feita por os cavalos a puxar o arado.
A colheita à mão tinha as suas vantagens: encontravam-se batatas de formas engraçadas, como coração, que se guardavam para si, mas também as crianças bem cedo começavam a detectar o escaravelho da batata, que era muito prejudicial para as batatas, pois devoravam as batatas, já que estes bichos tinham preferência pelas batatas ainda frescas. E assim salvavam este alimento da praga.
As crianças menores ajudavam a recolher as batatas para a cesta. Quando as cestas estavam cheias, eram levadas por um homem forte, pois eram muito pesadas para as crianças, mas alguns idosos, mesmo assim, ajudavam. E eram esvaziadas para sacos que estavam no meio do campo numa longa fila. Assim que os sacos estavam cheios, o agricultor colocava-os na caixa da sua carrinha estacionada à beira da estrada. Quando estava carregada, o agricultor partia com ela. As mulheres aproveitavam esse tempo para se esticar. E as crianças corriam pelo campo e jogavam à apanhada. Assim que o agricultor reaparecia com o vagão vazio, todos voltavam prontamente à colheita.
Apesar de dar trabalho, não era encarado como tal, pois ainda se divertiam e tinham momentos de descanso. Pelo meio dia vinha a camponesa. Ela trazia caracóis doces e cevada. Todos se sentavam no sacos vazios e eram servidos. Lavar as mãos não era permitido, para poupar água, mas a terra limpava o estômago. Entretanto, os meninos apanhavam as ervas da batata, faziam um molho e ateavam fogo. O calor era bom. No final do trabalho usavam o fogo para assar batatas no espeto. Depois punham-lhe sal e comiam. Eram saborosas.
Mulheres e crianças iam para o campo dia após dia, quer fizesse sol ou chuva. O tempo não era desculpa. Na parte da manhã, às vezes estava tudo cheio de geada. O frio incomodava nos dedos. Quando chovia, a humidade penetrava no vestuário. E aí, as crianças teriam preferido ir à escola. Mas as férias só terminavam realmente quando os campos estavam todos limpos.Por fim, era feita a calculação e pagamento. Todos recebiam batatas de inverno e o seu pagamento, quer os adultos como as crianças. Eles ficavam muito orgulhosos. À noite, a mãe fazia a conta ao que haviam ganho todos juntos e dizia com satisfeitação:
Hoje é tudo automatizado, mas naquele tempo a colheita significava trabalho humano. Era essencial a ajuda das mãos das crianças. Por isso, por esta altura nesse tempo, as salas de aulas ficavam vazias... e, deste modo, nasceram as férias da batata, que hoje sao apenas as de outono.
Nesse tempo, as boas colheitas eram essenciais para a sobrevivência das famílias, por isso era importante tirar a batata no tempo certo. E como a minha avó diz: "o trabalho de menino é pouco, e quem o desperdiça é louco". Muitos homens, nessa altura, estavam noutro campo, no campo de batalha (guerra), e muitos faleceram nele, por isso era primordial o trabalho das crianças. Eram as dos 10 aos 12 anos que acompanhavam as mulheres na apanha. Com as mãos cavavam para colher as batatas.
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| Fonte: mitterfels-online.de |
A colheita à mão tinha as suas vantagens: encontravam-se batatas de formas engraçadas, como coração, que se guardavam para si, mas também as crianças bem cedo começavam a detectar o escaravelho da batata, que era muito prejudicial para as batatas, pois devoravam as batatas, já que estes bichos tinham preferência pelas batatas ainda frescas. E assim salvavam este alimento da praga.
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| Fonte: mittelbayerische.de |
As crianças menores ajudavam a recolher as batatas para a cesta. Quando as cestas estavam cheias, eram levadas por um homem forte, pois eram muito pesadas para as crianças, mas alguns idosos, mesmo assim, ajudavam. E eram esvaziadas para sacos que estavam no meio do campo numa longa fila. Assim que os sacos estavam cheios, o agricultor colocava-os na caixa da sua carrinha estacionada à beira da estrada. Quando estava carregada, o agricultor partia com ela. As mulheres aproveitavam esse tempo para se esticar. E as crianças corriam pelo campo e jogavam à apanhada. Assim que o agricultor reaparecia com o vagão vazio, todos voltavam prontamente à colheita.
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| Fonte: lwl.org |
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| Fonte: mitterfels-online.de |
"Agora podemos fazer a matança, porque agora há dinheiro suficiente para um novo leitão!"Margret Rettich
Hoje é tudo automatizado, mas naquele tempo a colheita significava trabalho humano. Era essencial a ajuda das mãos das crianças. Por isso, por esta altura nesse tempo, as salas de aulas ficavam vazias... e, deste modo, nasceram as férias da batata, que hoje sao apenas as de outono.
Texto com base nos artigos "Senioren erinnern sich an ihre Kartoffelferien" e "Kartoffelgeschichte und -Geschichten".
Por várias vezes que tropecei numa partilha na internet que me dá uma certa comichão. Essa frase circula na internet com imagens diferentes, mas o conteúdo é o mesmo: "Ser mãe de menino é saber que ele sempre vai ser o homem da sua vida!" Não vos parece que há algo de errado neste pensamento?
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| Fonte: Facebook |
Ao ler esta partilha sinto que quem a apoia deve estar mal disposta com o pai do filho. Esse não deve ser o homem da vida dela, caso contrário não quereria colocar o filho no lugar dele. O pai do nosso filho, e o seu lugar no sistema familiar, deve ser respeitado e honrado. Isso vai fortalecer o lado masculino do filho rapaz.
Mas ainda há um outra expressão mais forte, e dentro da mesma linha, que anda a passear pela internet: "Meu filho não foi um erro. O erro foi o pai que arrumei pra ele!" Ups! Forte. Gente, quando ofendemos o pai do nosso filho, magoamos uma parte no íntimo do nosso rebento. Por mais que o nosso filho seja parecido connosco, ou que esteja afastado do pai, ele será sempre um pouco dele, e terá muito dele. Se criticamos avidamente o pai, enfraquecemos o filho. Além disso se o filho não foi um erro (acredito que nenhum seja!), então agradeçamos ao pai dele, mesmo que o detestemos (agora), pois sem ele não teríamos o nosso filho. Se tivéssemos outro homem, teríamos outro filho, não este.
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| Fonte: Facebook |
Tive dois filhos muito queridos. Queria-lhes muito e eram tão fofinhos. Um era pequenino e chamava-se João. O outro era menina, grande e chamada Clara. Lembro-me de ir com a Clara comprar pão à padaria da D. Lurdes, que na verdade era apenas a porta da cozinha para a varanda. E de lá trazer pães embrulhados em papel manteiga, que no fundo apenas eram cubos de madeira. Era uma mãe que amava muito a minha menina de babygrow cor de rosa e o meu pequenote de fatinho branco com um detalhe no peito em azul.
Às vezes quando estou no trocador com a Mariana penso: "Esta é mesmo de verdade. Esta boneca já não é de brincar." Como é que o tempo passou desde a Clara, a filha boneca, até à Mariana, uma boneca de filha!? Nem sei como é que este cabelos brancos vieram plantar-se mesmo em cima da minha testa!? Alguém me explica?
Às vezes quando estou no trocador com a Mariana penso: "Esta é mesmo de verdade. Esta boneca já não é de brincar." Como é que o tempo passou desde a Clara, a filha boneca, até à Mariana, uma boneca de filha!? Nem sei como é que este cabelos brancos vieram plantar-se mesmo em cima da minha testa!? Alguém me explica?
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| Esta era a minha filha Clara. |
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| Esta não teve direito a ser filha amada, apenas boneca, da qual não me recordo o nome. |
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| E este também não estou a reconhecer... |
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| Foto: Ana Filipa Oliveira/2016 |
Desculpa, filho, das vezes que saíste à rua com uma t-shirt quase acima do umbigo. Desculpa, filho, das vezes que foste para a escola com uns boxers dois números abaixo do teu. Desculpa, filho, das vezes que vestiste umas calças por remendar. Desculpa, filho, dos ténis apertados que te feriu os pés no andebol. Desculpa, filho, das meias a desfazerem-se. Desculpa, filho, dos pijamas acima das canelas, muito acima. Desculpa, filho, da roupa por passar. Desculpa, filho, das unhas não cortadas. Desculpa, filho, dos dentes não inspeccionados. Desculpa, filho, do cabelo que cresceu para lá da conta. Desculpa, filho, de não te ter ensinado que a primeira coisa que se faz quando se acorda é lavar a cara. Desculpa, filho, das vezes que te dei batata frita no lugar de dar brócolos cozidos. Desculpa, filho, das vezes que te deixei horas a fio a jogar consola invés de ir fazer uma actividade contigo. Desculpa, filho. E prometo que vou cuidar muito melhor de mim. Só assim saberei cuidar de ti. Desculpa, filho, de ser a mãe imperfeita que sou. Desculpa, filho.
Ele tinha oito anos a mais do que eu. Viveu, portanto, um reinado de quase uma década sem dividir atenções. Viveu sozinho, sem a companhia de uma outra criança... para partilhar as aventuras e para criar brigas sem norte. De repente, cá estava aquele pequeno ser que mexia com toda a família. A dinâmica da casa era outra, era nova, era estranha para ele, habituado a outro ritmo... Mas ao mesmo tempo era tão doce poder olhar para aquela bonequinha, tocá-la, vê-la a fazer as suas gracinhas... o primeiro sorriso...
Não sei se os meus pais o deixaram participar dos cuidados comigo. Nem sei se ele quis. Não sei se o mandaram calar para não acordar a irmã, que dormia. Não sei se deixou de fazer algo que gostava, porque eu vim estragar a festa, sendo a prioridade. Não sei se ele quis mostrar-me aos amigos e se os pais o fizeram. Não sei se chorou ao ter-me no colo pela primeira vez. Não sei se todos os dias, quando acordava, a primeira coisa que fazia era dar-me os bons dias. Não sei se ele me empurrava no carrinho todo orgulhoso pela rua fora. Não sei...
Não sei... mas estou certa, que mesmo que não sejamos os irmãos mais lamechas do mundo, mesmo que não falemos muito frequentemente, nem falemos directamente das coisas mais profundas das nossas almas... mesmo assim, sei, estou certa, que podemos contar um com o outro, e que a vida é bem melhor acompanhada, partilhando as aventuras e as birras... em criança e em adulto.












